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terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Águia e a Galinha

Um camponês criou um filhotinho de águia junto com suas galinhas. Tratando-a da mesma maneira que tratava as galinhas de modo que ela pensasse que também era uma  galinha. Dando a mesma comida jogada no chão, a mesma água  num bebedouro rente ao solo e fazendo-a ciscar para complementar a alimentação como se fosse uma galinha. E a águia passou a se portar  como se galinha fosse.
Certo dia passou por sua casa um ecologista, que vendo a águia ciscando no chão, foi falar com o camponês:
-Isto não é uma galinha, é uma águia!
O camponês retrucou: 
-Agora ela não é mais uma águia, agora ela é uma galinha!
O naturalista disse:
-Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa...
Levou-a para cima da casa do camponês e elevou-a nos braços e disse:
-Voa, você é uma águia, assuma sua natureza!
Masa águia não voou e o camponês disse:
-Eu não falei que ela agora era uma galinha!
O ecologista disse:
-Amanhã veremos....
No dia seguinte, logo de manhã, eles subiram até o alto de uma montanha. O ecologista levantou a  águia e disse:
-Aguia, veja este horizonte, veja o sol lá em cima e os campos verdes e os campos verdes lá em baixo, veja, todas essas nuvens podem ser suas. Desperte para sua naturezae voe como águia que és...
A Águia começou a ver tudo aquilo que nunca tinha visto, ficou estática no início, até que, então, ela sentiu seu sangue de águia correr nas veias, perfilou, devagar, suas asas e partiu num voô lindo, até que ddesapareceu no horizonte azul.


Leonardo Boff, filósofo e teólogo, escreveu um livro intitulado A Águia e a Galinha. Ele se vale de uma lenda narrada por um educador popular, James Aggrey, de um pequeno país da África Ocidental, do início do século XX, como metáfora para refletir sobre a dualidade das forças que habitam a mente do ser humano. 
Moral da história nunca esqueça de quem você é.

"Temos Deus dentro de nós.  É tão unido a nós que ele é a nossa própria profundidade. Somos Deuspor participação. Se é então devemos reconhecer que nós não adquirimos a vida espiritual. Ao contrário nós nos descobrimos radicalmente dentro dela"

Leonardo Boff

sábado, 10 de abril de 2010

O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"





EXCELENTE A FRASE ONDE ELE DIZ: " O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"

José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.


"Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail.... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!!!"

sexta-feira, 26 de março de 2010

Mãos


As nossas mãos não são simples instrumentos do cérebro para realização de tarefas; elas são também delegadas para missões difíceis, delicadas,próprias do ser humano.Somente o homem tem mãos.
O que o os olhos não podem expressar, fazemos com as mãos
Elas exploram, apalpam,, vêem.
As mãos recolhem, acolhem,, distribuem.

Os olhos contemplam, as mãos agem, se manifestam.
São elas que , acenam de longe, batem nas costas, aplaudem, rezam.

As duas têm a mesma formação cultural, mas geralmente só uma sabe escrever.
Jamais exploramos toda a potencialidade de nossas mãos.

As mãos simbolizam o próprio”eu” da criatura.
A personalidade nelas está gravada.
Muito mias que na cara e no nome, nossa identidade está nas impressões digitais

Na palma da mão há todo um jogo de linhas que desenham tanto o destino quanto a atividade humana.
Na verdade as mãos guardam grandes mistérios.
Elas são capazes de atos nobres, mas também podem espalhar desolação.

As mãos podem salvar e matar.
Espallhar sementes de amor e de ódio, acariciar ou agredir, abrir-se em doação ou fechar-se avarentas.

Mas o ideal é que nossas mãos estejamsempre a serviço do bem e da beleza, semeadoras de esperança, amor e paz.

Luis Fernando Veríssimo, Jornal do brasil,Revista de domingo, 15/05/92

domingo, 21 de março de 2010

Monólogo das mãos


Ghiaroni

"Para que servem as mãos?

As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......

As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;

Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidia a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!

Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.

Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra,
uma flor ou uma granada,
uma esmola ou uma bomba!

Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões;
os remédios e os venenos;
os bálsamos e os instrumentos de tortura,
a arma que fere e o bisturi que salva.

Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.

O autor do «Homo Rebus» lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.

A mão aberta, acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes;
da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
doce e piedosa nos afetos medica as chagas,
conforta os aflitos e protege os fracos.

O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor,
o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com a s mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.

Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.

E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.

Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.

E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.

E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!"


Mãos


Nunca voltarei a ver minhas mãos da mesma maneira


Meu avô, com noventa e tantos anos, sentado débilmente no banco do jardim, não se movia. Estava cabisbaixo olhando suas mãos. Quando me sentei ao seu lado, não notou minha presença , o tempo passava, então lhe perguntei se estava bem. Finalmente, sem querer incomodá-lo, mas querendo saber como ele estava, lhe perguntei como se sentia.



Levantou sua cabeça, me olhou e sorriu.

Estou bem, obrigado por perguntar”, disse com uma forte e clara voz.


Não quiz incomodá-lo avô, mas estavas sentado aqui simplemente olhando suas mãos e quiz ter certeza de que estivesse bem, lhe expliquei.



Meu avô me perguntou: “Alguma vez você já olhou suas mãos? Quero dizer, realmente olhou suas mãos?”



Lentamente soltei minhas mãos das de meu avô, as abri e as contemplei. Virei as palmas para cima e loga para baixo. Não, creio que realmente nunca as havia observado. Queria saber o que meu avô queria dizer-me. Meu avô sorriu, e me contou uma história.



Pare e pense um momento sobre como tuas mãos tem te servido através dos anos. Estas mãos, ainda que enrrugadas, secas e débeis tem sido as ferramentas que usei toda a minha vida para alcançar, pegar e abraçar.



Elas puseram comida em minha boca e roupa em meu corpo. Quando criança, minha mãe me ensinou a juntá-las em oração. Elas amarraram os cadarços dos meus sapatos, e me ajudaram a calçar minhas botas. Estiveram sujas, esfoladas, ásperas e dobradas.



Minhas mãos se mostraram inábeis quando tentei embalar minha filha recém nascida.



Decoradas com uma aliança, mostraram ao mundo que estava casado e que amava alguém muito especial.



Elas tremeram quando enterrei meus pais e esposa, e quando entrei na igreja com minha filha no dia de seu casamento. Tem coberto meu rosto, penteado meu cabelo e lavado e limpado todo meu corpo.



E até hoje, quando quase nada de mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar e a sentar, e se juntam para orar.



Estas mãos são as marcas de onde estive e a dureza de minha vida. Mas, o mais importante, é que são estas mãos que Deus tomará nas suas quando me levar a sua presença.



Desde então, nunca mais vi minhas mãos da mesma maneira. Mas lembro quando Deus esticou Suas mãos e tomou as de meu avô e o levou a Sua presença.



Cada vez que vou usar minhas mãos penso em meu avô; na verdade nossas mãos são uma benção. Hoje me pergunto: O que estou fazendo com minhas mãos? Estarei usando-as para abraçar e expressar carinho, ou as estarei brandindo para expressar ira e repulsa aos outros.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As sete maravilhas do mundo





Um grupo de estudantes de geografia estudou as sete maravilhas do mundo.
No final da aula, aos estudantes foi pedido para fazerem uma lista do que eles pensavam que fossem consideradas
as sete maravilhas atuais do mundo.
Embora houvesse algum desacordo começaram os votos:

1. Pirâmides do Egito
2. Taj Mahal
3. Grand Canyon
4. Canal De Panamá
5. Cristo Redentor
6. Basílica Do St. Peter
7. A Grande Muralha da China

Ao recolher os votos, o professor notou uma estudante muito quieta.
A menina, não tinha virado sua folha ainda.
O professor então perguntou à menina se tinha problemas com sua lista.
A menina quieta respondeu:
“sim, um pouco, eu não consigo fazer a lista, porque são muitos."
O professor disse:
“Bem, diga-nos o que você tem, e talvez nós possamos ajudá-la."
A menina hesitou, então leu, "Eu penso que as sete maravilhas do mundo sejam:
1. tocar
2. sentir sabor
3. ver
4. ouvir
Hesitou um pouco e então...
5. sentir
6. rir
7. e amar
A sala então ficou completamente em silêncio.
É fácil para nós, olhar as façanhas do homem.
Nós negligenciamos tudo o que Deus fez para nós.
Que você possa se lembrar hoje, daquelas coisas que são verdadeiramente maravilhosas.
"Faça tudo de bom que você puder para todas as pessoas que você puder, quando você puder.”

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Você já observou elefante no circo?





Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais.
Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
A estaca é só um pequeno pedaço de madeira.
E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
Que mistério!
Por que o elefante não foge?
Perguntei a um adestrador e ele me explicou que o elefante não escapa porque está amestrado.
Fiz então a pergunta óbvia:
-Se está amestrado, por que o prendem?
Não houve resposta!
Há alguns anos descobri que, por sorte minha alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta:

O elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei
O pequeno recém-nascido preso.
Naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar.
E, apesar de todo o esforço, não pôde sair.
A estaca era muito pesada para ele.
E o elefantinho tentava, tentava e nada.
Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino.
Ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá,
eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
Jamais, jamais voltou a colocar à prova sua força.
Isso muitas vezes acontece conosco!
Vivemos acreditando em um montão de coisas
'que não podemos ter',
'que não podemos ser',
'que não vamos conseguir',

Simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos 'nãos' que 'a corrente da estaca' ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o 'sempre foi assim'.

De vez em quando sentimos as correntes e confirmamos o estigma:
'não posso',
'é muita terra para o meu caminhãozinho',
'nunca poderei',
'é muito grande para mim!'

A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Vá em frente!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Qual a melhor religião?



Qual a melhor religião? - Diálogo entre Leonardo Boff e Dalai
Lama {MARAVILHOSO!!! - Para Reflexão}

A todos os que buscam os caminhos que levarão à queda de todas as
barreiras e fronteiras, rótulos e lideranças!'

Leonardo Boff explica:

'No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,

na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:

- 'Santidade, qual é a melhor religião?'

Esperava que ele dissesse:

'É o budismo tibetano ou são as religiões orientais, muito mais antigas
do que o cristianismo.'

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos
olhos - o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia
contida na pergunta - e afirmou:

'A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus.

É aquela que te faz melhor.'

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,voltei a
perguntar:- 'O que me faz melhor?'

Respondeu ele:

- 'Aquilo que te faz mais compassivo

(e aí senti a ressonância tibetana, budista,

taoísta de sua resposta),

aquilo que te faz mais sensível,

mais desapegado,

mais amoroso,

mais humanitário,

mais responsável...

A religião que conseguir fazer isso de ti

é a melhor religião...'

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta
sábia e irrefutável.'

Uma lição a aprender


Léo era um sujeito grandão, um tanto atrapalhado, que vestia sempre roupas remendadas e muito pequenas para o seu tamanho.
Diversos colegas divertiam-se muito pregando-lhe peças.

Um dia um colega notou um pequeno rasgão na manga de sua camisa e deu-lhe um puxão, aumentando o rasgado. Outro colega da fábrica deu sua contribuição, e outro, e logo havia um pedaço da manga rasgada, pendurado. Léo continuou o seu trabalho e, ao passar muito perto de uma correia em movimento, ficou com o pedaço rasgado preso na correia, tendo o braço puxado para dentro da máquina. Alarmes soaram, interruptores foram acionados, e um acidente mais sério foi evitado.

O chefe do setor, entretanto, ciente do que tinha acontecido, chamou o seu pessoal e contou a seguinte estória.

Quando era mais jovem, trabalhei em uma pequena fábrica. Foi lá que fiquei conhecendo Miguel.

Miguel era um sujeito grande, brincalhão, que gostava de fazer brincadeira com os outros, pregar pequenas peças. Ele era o líder da turma.

Havia também o Pedro, um seguidor, que sempre participava das brincadeiras do Miguel.

E havia também o Jaques. Ele era um pouco mais velho que o resto do grupo, quieto, inofensivo, à parte. Ele sempre comia o seu lanche sozinho, num canto. Por três anos seguidos, ele vestia sempre a mesma roupa remendada. Ele nunca participava dos jogos que jogávamos no horário do almoço, parecia indiferente, e sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore.
Jaques era o alvo natural das brincadeiras e piadas do grupo. Ora encontrava um sapo na marmita, ora um rato morto em seu chapéu. E ele sempre aceitava isso com bom humor.

Num fim-de-semana de outono, Miguel resolveu ir caçar. Pedro foi com ele, é claro. E eles prometeram para todos que, se caçassem alguma coisa, iriam trazer um pedaço para cada um de nós. Assim, nós ficamos todos muito animados e ansiosos quando soubemos que tinham retornado e que Miguel havia caçado um Antilope grande e gordo.
Ficamos sabendo mais que isso, pois Pedro nunca conseguia guardar um segredo apenas para si mesmo, e deixou transpirar que tinham preparado uma boa peça para aplicar no Jaques.

Miguel tinha dividido o antílope em pedaços e feito um pacote com uma boa porção para cada um de nós. E, para uma boa gargalhada, a peça era que ele havia separado as orelhas, o rabo e os cascos num pacote -- ia ser muito engraçado quando Jaques desembrulhasse aquele presente.

Miguel distribuiu os pacotes no horário do almoço. Cada um de nós ia abrindo o seu pacote, que continha uma bela porção de carne de antílope, e dizia obrigado. O maior pacote de todos ele deixou por último. Era para o Jaques. Pedro estava quase explodindo de vontade de rir, e Miguel exibia um ar de satisfação.
Como sempre, Jaques estava sentado sozinho, no lado mais afastado da grande mesa. Miguel empurrou o pacote para perto dele, e todos ficamos na expectativa. Jaques não era o tipo de muitas palavras. Ele falava tão pouco que você nem percebia quando ele estava por perto. Em três anos ele provavelmente não tinha dito nem cem palavras. Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa.

Ele pegou o pacote firme nas mãos e levantou devagar, com um grande sorriso no rosto. Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando. Por alguns momentos, o seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar sua emoção.

"Eu sabia que você não ia se esquecer de mim", disse com a voz embargada, "Eu sabia, você é grandão e gosta de fazer brincadeiras, mas sempre soube que você tem um bom coração." Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós. "Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má intenção. Sabem, eu tenho nove filhos em casa, e uma esposa inválida, presa na cama já fazem quatro anos. E sei que ela nunca mais vai melhorar. Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela. E a maior parte do meu salário tem sido para os médicos e os remédios. As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa.

Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço sozinho, num canto...Bem, eu acho que tenho ficado um pouco envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche. Ou, como hoje, havia talvez apenas uma batata na minha marmita. Mas eu quero que saiba que essa carne representa, realmente, muito para mim. Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, por que hoje à noite os meus filhos....", ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos "hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente..." e ele começou a abrir o pacote...

Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Jaques, enquanto ele falava, que nem tínhamos notado a reação do Miguel e do Pedro. Mas agora, todos percebemos quando os dois saltaram e tentaram pegar o pacote das mãos do Jaques. Mas, tarde demais. Jaques já tinha aberto e pacote e estava, agora, examinando cada casco, cada orelha, levantando o rabo do antílope.

Deveria ter sido tão engraçado, mas ninguém riu. Ninguém mesmo. E a pior parte foi quando Jaques, tentando sorrir, disse: "Obrigado."

Em silêncio, um a um, cada um dos colegas, pegou o seu pacote e colocou na frente do Jaques, pois eles haviam, de repente, compreendido quão pouco o presente significava para eles... até aquele momento...

Esse foi o ponto onde o chefe de seção parou sua estória e se afastou. Ele não precisou dizer mais nada, e foi gratificante notar que cada colega, naquele dia, enquanto almoçava, compartilhou parte da sua comida com o Léo, e um deles chegou mesmo a tirar a sua camisa e dá-la de presente para ele.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Gafanhoto

Lenda árabe desvenda, em ricas parábolas, a magia das diferenças

Georges Bourdoukan

Conta-se, mas Allah sabe mais, que há muitos e muitos anos vivia no oásis de Bukra um povo cuja bondade nem o tempo conseguia medir. Esse povo era guardião do Kitab-ul-Kutub (livro dos lvros) que deveria servir de guia para a humanidade e de forma alguma poderia cair em mãos erradas, sob o risco de despertar o Incontrolável. Na capa, letras circundavam a figura de um gafanhoto onde se lia:

Ser humano é entender que a
Diversidade leva à unidade,
Que a unidade leva à solidariedade,
Que a solidaridade leva à igualdade,
Que a igualdade leva à liberdade,
Que a liberdade leva à diversidade.


Nas páginas internas, desenhos de animais vinham acompanhados de parábolas.

A do cavalo dizia:

"Vivemos num eterno círculo,
onde as retas não tem fim"






A do camelo apregoava:




"Impossível e nunca são palavras que não
devem ser pronunciadas porque a natureza
humana não suporta limites"




A da gazela ensinava:
"A sabedoria é como a água,
quem não tem sede não sente
prazer em beber"





A da águia alertava:

"Nenhuma coisa pode ser vista
se não souber como vê-la"









A do touro lamentava:

"Quem pensa somente no futuro é um insensato;
afinal, o que o futuro lhe trouxe?"









A do escorpião instruía:




"Fuja do hábito ou ele acabará anulando a sua vida"







A da serpente proclamava:


"Imortal, a humanidade jamais terá fim,
pois Deus precisa do homem para existir"








Na página central , ao lado da imagem do gafanhoto , um texto esclarecia:

"O gafanhoto reúne a natureza e a forma dos sete viventes.
Tem a cabeça do cavalo,
o pescoço do touro,
as asas da águia,
os pés do camelo,
a cauda da serpente,
o ventre do escorpião,

e os chifres da gazela.
Se você chegou até aqui e não entendeu a mensagem, não prossiga.
Observe e aprenda que os animais são mais generosos que, os homens , pois nunca se viu um leão escravo de outro leão, nem cavalo de outro cavalo."

Não se sabe o que aconteceu com o povo de Bukra nem com o livro. Beduínos da tribo dos Bani-Nujum deixaram relatos de que eles teriam se ocultado para proteger o livro do Al-Dajal,Trazido pelo vento norte. E que um dia reapareceriam para que a humanidade pudesse entender o significado do círculo.

Renascer



(sem menção do autor)

Como se chama o que renasce das cinzas?

A mitologia nos apresenta uma ave fabulosa que durava muitos séculos e, queimada,
renascia das próprias cinzas.

Há variações que acrescentam que, além do renascer, essa ave tinha a capacidade de
pressentir o cheiro de um fim, e ia ao seu encontro, jogando-se contra o fogo para que se cumprisse o seu destino.

Phoenix é o nome da ave.
E humanamente, como chamamos quem renasce de si?

Como chamamos quem pressente o cheiro de um fim e se lança mortalmente ao encontro
deste com bravura, dor, coragem, medo,tristeza,lamento, altivez, tontura, com toda sua bagagem,ao encontro do que lhe espera,porque o sabe inevitável e ao inevitável não se pode fugir?

Como chamamos quem sobrevive a si para ensinar aos outros que é possível renascer?

Como chamamos quem exerce amor como prática de vida e morrendo em sua sina revive porque o semelhante precisa dessa ressurreição?

Como chamamos quem expõe suas dores,seus medos, seus temores, com naturalidade
e sabedoria contumaz porque é assim que tem que ser?
Não sei.

E a Phoenix pousou sobre meu inconsciente.

É que nesse mundo, meu feito mais constante é o de observar.
Do que vejo e sinto, escrevo.
Mas por agora, me perdoem, não sei dominar.
Não sei nem mesmo como chamar esse estado que se adquire, essa capacidade, não de
sobreviver às intempéries, mas de renascer da morte dos próprios sonhos.

Mas sei que é possível.

E vejo Phoenix sobrevoando o mundo de seu renascer.
A fábula e a vida real dançando juntas.
A primeira é mestra, a segunda a aluna.

E assim como a ave mitológica que tenta ensinar a recolher o pó da combustão de
nossas substâncias essenciais porque será dele que virá a nova vida, precisamos ir
ao nosso encontro.
Precisamos virar a esquina do pesadelo com a consciência clara de que de nossas cinzas nos faremos vida e de nossos sonho.

Não sei como chamar quem renasce das próprias dores e do próprio fim.
E renasce sempre melhor e mais belo.
Mas tenho cá comigo a intuição de que se chama GENTE.
E é com essa GENTE que eu quero aprender a viver.

Todas as vezes que leio esse texto fico emocionada é a minha história, o meu
renascer, não é fácil, é um processo doloroso mas como diz o autor, é possivel sim, renascer das próprias cinzas, aqui estou.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SAWABONA - Sobre estar sozinho




(Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta)

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei.

Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.

Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

PS: Caso tenha ficado curioso em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM".

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é "ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ"

SAWABONA AMIGOS

Eu sei mas não devia



Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista senão as janelas ao redor.
E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de tudo as cortinas
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E à medida que se acostuma a acender a luz, esquece-se o sol, o ar, a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.
E aceitando os números aceita a não acreditar nas negociações de paz.

A gente se acostuma a pagar tudo o que deseja e o de que necessite.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que preciso.
E a fazer fila para pagar mais do que as coisas valem.
E “a saber” que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.
A abrir as revistas e ver anúncios.
A ligar a televisão e assistir comerciais .
A ir ao cinema e engolir publicidade a ser instigado, conduzindo, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial do ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
À contaminação da água do mar.
À lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir os passarinhos, a não ter galo da madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisa demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Espíritos evoluídos


Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.

Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas com Síndrome de Down ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: - Pronto, agora vai sarar!

E todos os noves competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos.

Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas com certeza, não eram deficientes espirituais...

"Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos."

domingo, 30 de agosto de 2009

Um mundo sem diferenças


Grande filósofo chinês em uma de suas viagens. Confúcio, cerca de 500 anos antes de Cristo, foi informado que na próxima aldeia à ser visitada, morava um garoto tido por todos como muito
inteligente e falante. Chegando lá, Confúcio quis encontrar-se com o garoto e fez questão de conversar com o menino; a conversa estendeu-se por várias horas, e quase no final do assunto o garoto citou que era muito estranho admitir que a superfície do planeta era realmente uma combinação, aparentemente disforme e sem sentido, de altitudes diferenciadas, como, por exemplo, montanhas tão altas que nunca perdem sua cobertura de neve eterna ao lado de vales
planícies e até mesmo lagos e rios.

Passaram então a imaginar como construiriam o mundo caso tivessem tal chance?

O menino defendeu a idéia que sua Terra seria perfeita, isto é, sem acidentes geográficos, com a mesma altitude, sem montanhas, lagos ou depressões.
Confúcio encerrou a conversa, e o menino mais inteligente da aldeia ficou vangloriando-se de sua própria idéia: se ele fosse Deus, criaria um novo planeta, perfeito sem diferenças!

Caminhando um pouco mais, no meio da rua Confúcio viu, ao lado de um pequeno córrego, um menino brincando – por coincidência, de idade , próxima à do menino “sábio” da aldeia.
Confúcio foi até ele e brincando perguntou: “ Que tal se você me ajudasse a acabar com as desigualdades do mundo inventando uma nova Terra em que não houvesse diferenças entre as montanhas, os rios, os lagos e - quem sabe até – entre as pessoas”

Por um instante o menino ficou quieto.

Depois de muito refletir, e talvez sem saber direito quem era aquele adulto que passava pela sua aldeia , ele finalmente respondeu ao sábio:

“ Por que acabar com as desigualdades?

Se achatarmos as montanhas, os pássaros não terão mais abrigo.
Se acabarmos com a profundidade dos rios e dos mares, todos os peixes morrerão.
O mundo é muito vasto, muito rico, cheio de oportunidades, por isso, deixe-o com suas diferenças.”

Naquele dia o grande filósofo chinês confirmou, mais uma vez, que sabedoria não está necessariamente na mente daqueles considerados mais sábios, mas sim na daqueles que conseguem perceber o motivo das coisas simples, intrigantes e maravilhosamente desiguais.

sábado, 29 de agosto de 2009

Quando falar sobre o amor



(GLÁCIA DAIBERT)

Quando falar sobre amor, finja nada conhecer, para absorver cada frase que brote do coração.

Quando falar sobre a dor, deixe abertas as janelas da alma para compreender que amor e dor são tão parecidos que até os confundimos, ao vê-los bem de pertinho.

Quando falar sobre a paz, faça-o no rumor da guerra, para ser ouvido na mais alta voz.

Quando falar sobre sonhos, acorde, para vivê-los na melhor lucidez do seu dia.

Quando falar de amizade, estenda a mão aos seus inimigos, para que possa provar a si mesmo aquilo que gosta de dizer aos outros.

Quando falar de fome, faça um minuto de jejum, para lembrar daqueles que jejuam todos os dias.

Quando falar de frio, abrace alguém.

Quando falar de felicidade, acredite nela.

Quando falar de fé, cerre os olhos para encontrar a razão daquilo em que crê.

Quando falar de Deus, faça-o pelo silêncio do seu testemunho.

Quando falar de si mesmo, aprenda a calar, para entender o amor, a dor, a paz, os sonhos....

POR FAVOR ME TOQUE




Philips Davis

Se sou seu BEBÊ, por favor me toque.
Preciso do seu afago de uma maneira que talvez nunca saiba.
Não se limite a me banhar, trocar minha fralda e me alimentar.
Mas me embale estreitando, beije o meu rosto e acaricie o meu corpo.
Seu carinho gentil, confortador, transmite segurança e amor.

Se sou sua CRIANÇA, por favor me toque.
Ainda que eu resista e até rejeite.
Insista, descubra um jeito de atender minha necessidade.
Seu abraço de boa noite ajuda adoçar meus sonhos.
Seu carinho de dia me diz o que você sente de verdade.

Se sou seu ADOLESCENTE, por favor me toque
Não pense que eu, por estar quase crescido,
já não precise saber que você ainda se importa, necessito de seus braços carinhosos, preciso de uma voz terna
Quando a vida fica difícil, a criança em mim volta a precisar.

Se sou seu AMIGO, por favor me toque.
Nada como um abraço afetuoso, para saber que você se importa.
Um gesto de carinho, quando estou deprimido, me garante que sou amado.
E me reafirma que não estou só, seu gesto de conforto talvez seja o único que eu siga.

Se sou seu PARCEIRO SEXUAL, por favor me toque,talvez você pense que sua paixão basta.
Mas só seus braços detém meus temores
Preciso do seu toque, terno e confortador, para me lembrar de que sou amado apenas porque eu sou eu.

Se sou seu FILHO ADULTO, por favor me toque.
Embora até ter minha própria família para abraçar, ainda preciso dos braçosde mamãe e papai quando me machuco.
Como pai, a visão é diferente. Eu os estimo mais.

Se sou seu PAI IDOSO, por favor me toque.
Do jeito que me tocaram quando eu era bem pequeno.
Segure minha mão, sente-se bem perto de mim, dê-me força
E aqueça o meu corpo cansado com sua proximidade.
Minha pele, ainda que muito enrugada, adora ser afagada.

Não tenha medo

Apenas me toque