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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Páscoa e Manifestações folclóricas

A Páscoa e muitas das manifestações da religiosidade popular e do folclore a ela relacionadas foram introduzidas no Brasil pelo colonizador português. Entre nós, esses elementos da cultura do branco europeu interagiram com outras heranças culturais de negros e índios, resultando uma rica variedade de ritos, usos, crendices e folguedos, muitos deles correndo paralela ou independentemente às normas religiosas oficiais.

Desse complexo de tradições, patrimônio do nosso povo, vale salientar as diversas procissões, vias sacras, cerimônias de autoflagelação, cantorias de Incelenças do Senhor Morto e dramatizações da Paixão e Morte de cristo, que à época do ciclo quaresmal enchem as igrejas e tomam as ruas, os sítios e os sertões, criando entre os mais humildes uma atmosfera respeitosa baseada na identificação com o Cristo sofredor.

Há uma suspensão temporária dos costumes do cotidiano, causada por uma compreensão mágico-ritualística do fenômeno religioso, alterando normas de conduta usuais: maquiar-se, dançar, divertir-se, ter relações sexuais, falar obcenidades, etc.

Outra prática, contrastando paradoxalmente com as recomendações de jejuns e moderação alimentar, diz respeito à rica e variada culinária da Semana Santa, quando peixes, crustáceos, feijão, arroz, temperos verdes, redo, cuscuz e outras iguarias preparadas ao leite de coco são fartamente consuidas, fazendo-se acompanhar de vinhos, hábito recentemente incorporado aos nossos costumes.

Dentre os folguedos, fora o micarene (carnaval que acontece após a missa da Aleluia ou da Ressureição), de origem francesa, há os tradicionais "Judas" e "Serra velho", que subsistem apesar da coibição policial.
a) Judas - costume pouco cristão, oriundo da Penísula Ibérica, consiste na confecção de um boneco de trapos, caracterizando alguém da comunidade - um comerciante avaento, um inimigo-, o qual é depositado à porta da pessoa caracterizada, na noite do Sábado Santo. Sua origem remonta ao tempo da Inquisição e, provavelmente, está relacionada à discriminação e ao preconceito contra os judeus, a quem era atribuída a morte de Cristo e, consequentemente, a causa de todos os males do mundo.
No Nordeste do brasil, além desse uso, ainda conservam-se a " Malhação do Judas" e a "Queima do Judas". Após o julgamento de "Judas" e sua condenação, faz-se a leitura do seu Testamento, tudo em clima de gozação, muitas vezes de maneira desabonadora para os moradores da vizinhança. Depois o "Judas" é enforcado em um poste e malhado (surado) até decompor-se completamente. Ou, então, recheado de bombas de artifício, nele é colocado fogo, resultando em grandes explosões, para delírio dos participantes.
b) Serra- Velho- originado da serração da "Maria Quaresma" dos portugueses, esse folguedo acontece na "quarta-feira de trevas" da Semana santa. Um grupo de jovens, alta hora da noite, chega-se a casa de um idoso da comunidade e, entre lamentos e choros fictícios, serra um pedaço de madeira, enquanto anuncia a morte do velho. Há também, a leitura do seu Testamento, distribuindo-se os seus bens para os presentes.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Páscoa Cristã


A Páscoa Cristã celebra um fato novo: a Ressureição de Jesus, aós os dramáticos episõdios que ficaram sendo conhecidos como a sua Paixão e Morte. Tais acontecimentos coincidiram com a festa em que os judeus celebravam a libertação do cativeiro egípcio.

Com efeito, numa quinta-feira, véspera do 14º dia após a primeira lua nova do ano, Cristo reuniu seus amigos para a Ceia Pascal, durante a qual distribuiu aos presentes pão e vinho, afirmando serem seu corpo e sangue. Com isto estabeleceu um novo memorial: a Eucaristia (Santa Ceia ou Comunhão). Na sexta-feira seguinte sofreu o sacrifício da cruz e no domingo ressucitou dentre os mortos (Cf. Lucas, capítulos 22, 23 e 24).

Durante muitos anos, a Páscoa cristã foi festejada no mesmo dia da Páscoa judia, até que o Concílio de Nicéia, no ano de 325 da era cristã, fixou o 1º domingo após o inverno no hemisfério norte como a sua data definitiva.

Esta medida atesta o amadurecimento da experi~encia cristã e, consequentemente, seu progressivo distanciamento e abandono das tradições judaicas, opondo-se à guarda do sábado, dia santificado dos judeus, a observação do domingo, dia que Cristo ressucitou.

Pode-se, também, ver nisso uma estratégia da Igreja para conquistar a adesão dos povos nórdicos, mediante a cristianização dos seus costumes, uma vez que o 1º domingo após o 14º dia da primeira lua nova do ano coincidia com o início da primavera na Europa - entre 22 de março e 25 de abril -, quando estes povos festejavam o término do inverno e a chegada da primavera. Daí "Easter", páscoa em inglês, derivar de "Eostre", deusa da primavera na mitologia anglo-saxônica.

Assim como a antiga Páscoa tornou-se para os hebreus fato determinante para o inicio de sua história como nação, a nova Páscoa representou para os cristãos o início de nova era para a humanidade, superando limites nacionais e etnográficos.

A sua comemoração exigia um período especial de preparação para todos os cristãos, particularmente para os catecúmenos (candidatos ao batismo), recorrendo-se a prolongados exercícios espirituais, jejuns, orações, leituras e doutrinação - a quaresma.

A Quaresma

Quaresma consiste numa preparação iniciática ao mistério pascal. Atualmente ela se prolonga da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa, período de 40 dias, caracterizando-se pela prática de jejuns, orações, mortificações e abstinência de carne e diversões.

No início do cristianismo, entretanto conforme Santo irineu (segundo século da nossa era), esse período iniciático durava 40 horas, desde a tarde da Quinta- feira Santa até o domingo Pascal, durante o qual nada devia ser comido. A partir do século III, a preparação começava no Domingo de Ramos e o jejum era observado durante toda a Semana Santa. Mas foi com o Concílio de Nicéia (325), que ficou estabelecido o período quaresmal atualmente em uso, ou seja, 40 dias a contar da Quarta-feira de Cinzas.

Quarta-feira de Cinzas

Marca o início do período quaresmal e, na sua forma atual resultou da reelaboração de antigas práticas penintenciais pré-cristãs, comuns a diversos povos do passado. Consistia em alguém vestir-se de saco e cobrir-se de cinzas, a fim de expressar sofrimento e arrependimento.

Na igreja primitiva, durante as penitências públicas para reparação das ofensas e readmissão na comunidade de fé, costumavam os penitentes apresentarem-se vestidos de sacos à porta dos templos, onde os sacerdotes, após reiterados conselhos, entre cânticos e orações, aspegiar-lhes cinzas sobre as cabeças.

Após o Concílio de Nicéia, este uso estendeu-se para toda a comunidade. Atualmente, as cinzas são obtidas pela queima de folhagens bentas no Domingo de Ramos do ano anterior, e no momento da sua deposição sobre a cabeça do penitente, o sacerdote o exorta à mudança de vida, recitando a fórmula: !Converter-te e crede no Evangelho". Anteriormente dizia-se: " Lembra-te que és pó e ao pó deves voltar" (Cf. Gênesis 3,19).

Páscoa



A Páscoa é uma das festas da cristandade, cuja celebração, no decorrer da história, alterou significativamente o modo de estar no mundo de grandes parcelas da humanidade, deixando marcas indeléveis nas artes, na pol´tica, nos costumes, na linguagem e na cultura geral, enfim.

Apesar de tratar-se de um memorial da resureição de Cristo, a Páscoa cristã está intimamente relacionada à Páscoa dos judeus (israelitas), também conhecida como "festa dos pães ázimos", em que se comemora a libertação desse povo do cativeiro egípcio.

A Páscoa Judaica


Candelabro importante para a cultura judaica é o Menorá (hebraico מנורה - menorah).


O Menorá possui sete braços e é um dos símbolos do Judaísmo, juntamente com a Estrela de Davi.



Conforme o texto bíblico ( Êxodo 12, 1-14), a libertação do povo hebreu, que padecia sob o jugo egípcio, foi precedida da passagem do Anjo exterminador, na noite do 14º dia após a primeira lua noa do m\~es de Nisã, de acordo com o calendário judaico. Daí o nome Páscoa, do hebraíco " Pesach", significando "passar por cima".

Naquele dia, orientadas por Moisés, as famílias sacrificaram um cordeiro perfeito, com cujo sangue marcaram as portas das suas casas. À noite, durante a ceia, foi servida a carne do cordeiro com verduras amargas, que lembrariam o amargor da escravidão no Egito, e pães sem fermento (pâes ázimos ou asmos), isto é, de trigo puro, significando a pureza do espírito dos comensais. Tudo realizado em estado de prontidão: vestidos, calçados, com cajado na mão, prontos para a partida.

E eis que passou o Anjo da Morte, exterminando a todos os primogênitos das casas dos opressores, mas poupando as casas marcadas com o sangue do cordeiro, o que causou grande pavor entre os egípcios e resultou na libertação definitiva dos hebreus e sua consequente marcha para a Terra Prometida.

A Páscoa simboliza, pois, a libertação de Israel, e sua celebração anual tomou um caráter de obrigatoriedade, em torno da qual foi-se organizando um conjunto de normas e práticas religiosas e de convivência social determinantes na construção de um profundo sentimento coletivo de povo e de nação para aquela gente.